13/04/2010

Evangélicos e as opções de diversão

"Ei menina! Vai te divertir!”. Shirley Mesquita, de 25 anos, hoje finge que não ouve as provocações dos colegas de trabalho, mas isso ela aprendeu com o tempo. Não bebe, não fuma, evita decotes e roupas curtas e garante que se diverte bastante, sim, como qualquer garota da sua idade.


Shirley é evangélica, vendedora em uma concessionária, ela decidiu ceder à paixão de infância e abraçou o teatro. Pelo menos uma vez por mês ela sobe ao altar de sua igreja para encenar historias de fé, perdão, esperança, e já perdeu as contas de quantos personagens encenou ao lado do Grupo de Teatro Peniel, que ela integra desde 2008 ao lado de 14 outros jovens.

Shirley é a mais velha do grupo. Segundo ela, os ensinamentos obtidos na Igreja vão para o palco de maneira sutil. “São histórias que falam da realidade do jovem, relações entre pais e filhos, problemas como as drogas, a prostituição. A gente às vezes abandona Deus e, no final, vê que é bem mais vantajoso estar com ele. É muito bom poder passar essa mensagem através da arte”.

Em uma das montagens favoritas do grupo, a versão paraense do espetáculo americano “Lifehouse”, uma garota de tênis, jeans e camiseta trava uma verdadeira batalha com personagens que, devidamente caracterizados, representam o alcoolismo, a ganância, a vaidade e a luxúria.

É um processo extenuante tentar livrar-se de cada um deles. No último conflito, ela enfrenta a Morte – personagem que lhe propõe suicídio oferecendo um revólver - para então encontrar-se com Jesus, que a abraça e protege. Sem diálogos nem qualquer sofisticação, os atores valem-se somente de uma canção de fundo. Não há palavras nem necessidade delas. “A ideia é mostrar que não vale à pena se entregar às paixões que o mundo oferece”, Shirley ensina. A voz de menina por vezes é coberta pelo tom de convicção que cada uma de suas frases carrega.

Ela conta que, desde que “se converteu”, em 2003, jamais esteve na plateia de um espetáculo que não desenvolvesse a temática evangélica. “Eu vivo o meu teatro, com o nosso grupo de jovens, dentro da nossa igreja. Não me chama atenção outro tipo de peça, como as comédias vinculadas ao sexo, com palavras de baixo calão. Ninguém precisa disso. Na igreja temos peças engraçadas sem precisar desses artifícios”, defende.

Já Layse de Souza Sampaio, 22 anos, frequentadora da Igreja Evangélica Assembleia de Deus, se diz baladeira. “Sempre que rola um show evangélico por aqui eu to dentro!”, ri.

Contudo, ela, que é estudante do curso de Licenciatura em Química na Universidade Federal do Pará, conta que resiste veemente aos convites dos colegas para outros tipos de festa. “É uma grande tentação, porque eu sei que é divertido. Mas aquele não é mais o meu ambiente, quando estamos na igreja precisamos dar bons exemplos. Não quero denegrir minha imagem, nem a da minha igreja. Se alguém souber que eu estive lá, vai achar que eu estava na bagunça, bebendo”, ajuíza.

Para este tipo de conduta, uma penalidade: a disciplina imposta pelo pastor, que pode resultar no afastamento da igreja durante alguns dias, dependendo da gravidade da falha cometida. “Mas isso é meio raro de acontecer”, garante.

Para além dos muros da universidade, Layse marca presença em todos os shows evangélicos. “Eu a-m-o salto alto. É errada essa imagem de que ‘crente’ não se arruma, tem que usar saião, cabelão escorrido. Eu adoro me maquiar, me arrumar. Nós somos jovens como todo mundo”.

Ela dificilmente ouve gêneros musicais fora da música gospel. Logo, prepara os fones de ouvido sempre que a irmã gêmea resolve ouvir seus ídolos sertanejos e forrozeiros. “Eu detesto esse tipo de música. Quase sempre tem obscenidade oculta, não gosto. Alguns ritmos até que são legais, mas as letras... ora, ‘Chupa que é de uva’!? Não, prefiro colocar os fones e ouvir minhas músicas no celular, para evitar brigas”, diz.

Já em relação ao irmão mais novo, Henrique, de 14 anos, evangélico, harmonia total. Tanto que os dois decidiram montar um grupo musical de louvor: ela nos vocais, ele no violão e mais três amigos que completam a sonoridade com bateria, teclados e guitarra. A inspiração vem dos cantores Eyshila, André Valadão, Kléber Lucas e Fernanda Brum, dos quais ela coleciona dezenas de CDs. “Fico muito emocionada quando estou cantando e adorando a Deus. As pessoas cantando junto, orando, profetizando... é uma verdadeira benção”.


Fonte|Pátio Gospel
Comentários
0 Comentários

Nenhum comentário :

Postar um comentário

 
Copyright © 2013 Patio Musical
Design by FBTemplates - Traduzido Por: Templates Para Blogspot